terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Um futuro bacanal


Hoje uma adolescente de vinte e poucos anos me disse que eu era uma das poucas pessoas que ela conhecia que falava de um futuro melhor. Eu responderia que sim, se ela não houvesse dito isto no fim de nossa longa conversa anterior, e complementaria narrando essa pequena moral das histórias.
Você já deve ter ouvido falar desse filme: “Mais Estranho que a Ficção”. É a história de Harold, um personagem que começa a ouvir a escritora narrando sua vida. Ele acha estranho ouvir essa voz que lhe acompanha no cotidiano e que certas vezes até antecipa-lhe os acontecimentos. E começa a contar isso para as pessoas que o rodeiam.
Esse estranhamento prossegue até que ele reconheça essa voz em um programa de TV, é ela, a entrevistada. Sua autora. Que maravilha!!! Ops, nem tanto. Ela gosta de matar seus personagens. Agora Harold tem de lutar por sua vida indo em busca das responsabilidades que os autores tem sobre a narrativa.
Isso decorre, meu leitor, do fato de que se você identifica com uma parte do meu texto, você está com isso o tornando real. Isso mesmo, na sua mente ele está tomando vida!
A vida dos meus pensamentos. A forma como eles irão influenciar quem quer que seja. Esse é o pesadelo das palavras. “A palavra plasma”. Ela molda a forma como interpretamos a vida e isso, de certa forma, é que dá modela a realidade.
Os escritores sabem disso. Eles sabem da responsabilidade que possuem sobre os seus personagens e isso lhes aflige. Mas não ao jornalista que que se perde na promiscuidade do cotidiano ao tentar conter parte da vida das pessoas no espaço curto de sua narrativa.
É por isso que a poesia será sempre mais refinada que a literatura. E essa última, por sua vez, ainda mais delicada que o jornalismo. Os poetas são os profetas, os escritores os oráculos e os jornalistas são ditadorezinhos donos da “verdade”.
Mas eu agora sou blogueiro e nesse blog eu vou procurar propor narrativas que apontem para realizações melhores. Eu não acredito no capitalismo sustentável, nem sou ingênuo a ponto de dispensar a política. “O barato é louco. O bagulho é sério. O processo é lento.” Mas eu não sou espiritualista e quero experimentar boa parte desse mundo melhor, então: mãos à obra por um Futuro Bacanal.

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