Hoje
uma adolescente de vinte e poucos anos me disse que eu era uma das
poucas pessoas que ela conhecia que falava de um futuro melhor. Eu
responderia que sim, se ela não houvesse dito isto no fim de nossa
longa conversa anterior, e complementaria narrando essa pequena moral
das histórias.
Você
já deve ter ouvido falar desse filme: “Mais
Estranho que a Ficção”. É a história de Harold, um
personagem que começa a ouvir a escritora narrando sua vida. Ele
acha estranho ouvir essa voz que lhe acompanha no cotidiano e que
certas vezes até antecipa-lhe os acontecimentos. E começa a contar
isso para as pessoas que o rodeiam.
Esse
estranhamento prossegue até que ele reconheça essa voz em um
programa de TV, é ela, a entrevistada. Sua autora. Que maravilha!!!
Ops, nem tanto. Ela gosta de matar seus personagens. Agora Harold tem
de lutar por sua vida indo em busca das responsabilidades que os
autores tem sobre a narrativa.
Isso
decorre, meu leitor, do fato de que se você identifica com uma parte
do meu texto, você está com isso o tornando real. Isso mesmo, na
sua mente ele está tomando vida!
A
vida dos meus pensamentos. A forma como eles irão influenciar quem
quer que seja. Esse é o pesadelo das palavras. “A palavra plasma”.
Ela molda a forma como interpretamos a vida e isso, de certa forma, é
que dá modela a realidade.
Os
escritores sabem disso. Eles sabem da responsabilidade que possuem
sobre os seus personagens e isso lhes aflige. Mas não ao jornalista
que que se perde na promiscuidade do cotidiano ao tentar conter parte
da vida das pessoas no espaço curto de sua narrativa.
É
por isso que a poesia será sempre mais refinada que a literatura. E
essa última, por sua vez, ainda mais delicada que o jornalismo. Os
poetas são os profetas, os escritores os oráculos e os jornalistas
são ditadorezinhos donos da “verdade”.
Mas
eu agora sou blogueiro e nesse blog eu vou procurar propor narrativas
que apontem para realizações melhores. Eu não acredito no
capitalismo sustentável, nem sou ingênuo a ponto de dispensar a
política. “O barato é louco. O bagulho é sério. O processo é
lento.” Mas eu não sou espiritualista e quero experimentar boa
parte desse mundo melhor, então: mãos à obra por um Futuro
Bacanal.
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