*Obs.:
Eu tomo neste texto uma forte referência do Post anterior
Eu sou um deleuziano e no fundo eu acredito que nossos estados
psíquicos se ajustem como uma questão econômica. Assim ouso chamar
a depressão e a mania e seus estados transitivos de questões de
regime de líbido ou política de humores.
Minha primeira tarefa aqui é explicar como a economia se produz no
sistema psíquico. Então vamos lá. Tome os humores libinais como
uma política de investimento que nosso corpo pode exercer na
transformação do estado das coisas no mundo.
ESPERE!
Como assim transformação no estado das coisas. Então retomemos o
texto anterior: lembra quando falei que para quem é capaz de
produzir um bolo, os ingredientes representam o próprio bolo se o
reconhecimento existe. Quero dizer: se conheço a receita. Sei
executar e tenho os ingredientes, então o que falta é a disposição
para a agir e a ação.
Mas o que nos move? O que nos tira do sofá numa tarde chuvosa e põe
nesse estado de disposição?
A resposta para isso chama-se líbido. Heidegger, chama isso de “modo
da disposição do ser”, o estar pronto e o agir. Mas cabe aqui uma
ressalva, o corpo humano sempre está disposto a ação. Uma rápida
visada em um livro de biologia nos mostra que sistema muscular está
sempre armado, pronto para praticar ações. Então o estado líbinoso
é pode ser sintetizado como o estado da disposição do ser para
transformar o ambiente a seu redor.
Sim, nós operamos com essa disposição o tempo inteiro e até
aprendemos a crer que sabemos como lidar com ela. É aqui que surge a
nossa crença no estado da disposição e daí a chave para os
estados depressivos ou maníacos.
Assim, ao nos posicionarmos no mundo, agimos na crença de que
podemos executar essa ou aquela transformação nos ingredientes e
tal ou qual intensidade. Quando nossas crenças suplantam a
capacidade de execução chamamos de mania e quando elas são tão
ínfimas que nem nos dispomos chamamos depressão.
Vou explicar melhor!
Quando vejo em minha frente diversos ingredientes e acreditamos que
podemos produzir um grande número de bolos (como é o caso do texto
anterior). Caso eu não consigamos produzi-los na quantidade de nossa
disposição, estamos num estado maníaco. É algo como acreditar que
seremos capazes de nos levantar e mudar o mundo inteiro em um só
dia, até que a exaustão nos vença. Isso é mania.
A mania é numa relação com o sistema econômico um estado de
crescimento inflacionário e especulativo. Crescimento porque o
estado do ser é voltado para fora e é investidor. Inflacionário
porque aumenta nossa o custo dos objetos à medida em que especula
com sua própria capacidade de produção ou com os resultados de estoque em superprodução, onde não teríamos onde dispor tantos bolos (mas isso é uma questão de pulsões e será alvo de outro texto).
O revés disso é a depressão. Imagine o estado de um ser que não
se prontifique a ação. Um estado recessivo em que os próprios
ingredientes perdessem valor pela falta de interesse nos bolos. Isso
faz da depressão um estado recessivo, deflacionário e depreciativo,
já que o deprimido rejeita os ingredientes e continuamente reclama
da quantidade de ingredientes que se lhe apresentam a todo instante.
Há na sociedade a crença de que assim como na economia (e em
economia também isso é apenas uma crença), de que seja possível
uma visada de equilíbrio entre esses estados. Uma crença num “modo
dissente” que nos apresentasse uma disposição equilibrada entre a
crença na disposição e o modo da disposição durante a ação.
Ai, ai, ai! O estar agindo! Há milhares de métodos que visam
determinar pontos de equilíbrio nesse estado. Há uma infinidade de
fórmulas econômicas que visam determinar o quanto de crença
devemos aplicar a cada elemento em nossas vidas e numa proporção
ainda maior em nosso grupo social, cidade, estado e país.
Acreditamos que podemos ser felizes com esse ou aquele ingredientes,
nessa ou naquela proporção quais preços. Acreditamos em
investimentos a fundo perdido, recuperáveis sobre outro estado
corporal. Acreditamos na moda, nos esportes, na educação e nesse
conjunto de coisas que chamamos de mundo e sobre eles traçamos
planos de investimento.
Assim dias maníacos sucedem-se de dias depressivos de modo que nos
encontramos em uma sociedade onde somos obrigados a crer na condição
de equilíbrio. Ocorre no entanto que volta e meia vemos o surgimento
de novas males, com novos nomes revelando a dura tarefa de
caminharmos pelo que chamamos de REALIDADE.
Maníacos, depressivos, esquizofrênicos, psicóticos, sociopatas,
psicopatas e tantos outros males através de stress, pânico e fúria.
Há inúmeras possibilidades de sairmos da linha, tantas quantos
forem os nomes que pudermos lhes dar.
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